quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ponderando sobre tatuagens

Tatuagens fazem parte da nossa cultura já a muitos anos. O que por muito tempo era comum apenas entre marinheiros e pessoas vistas como a escória da sociedade, acabou por se popularizar do mesmo modo como as drogas: através das celebridades.


Algumas culturas veem como símbolos de status e coragem, enquanto em outras é proibido por ser uma violência ao corpo. O fato é que é algo permanente (até existem tratamentos caros de despigmentação mas ninguém considera usá-los), então é necessário ponderar muito tempo sobre o assunto caso seja sua vontade fazer uma. 

A pouco tempo houve uma polêmica na internet por uma subcelebridade ter tatuado um braço todo de preto. Não adianta, você sempre será julgado pelos outros e a tatuagem serve justamente para isso, é uma tentativa de moldar a impressão que os outros tem de você. É um sinal no sentido literal da palavra.

Sempre digo, ao invés de tatuar algo, faça uma camiseta com o desenho e use até enjoar. Até porque os sinais que você quer mandar hoje podem, e provavelmente não vão ser os mesmos daqui a alguns anos.

Tenho tatuagens e pretendo ter algumas mais, mas em locais que não me prejudiquem socialmente. Como eu sempre digo, preconceito existe em todo lugar e não estou nem ai se acontecer comigo, mas eu aceito as regras do jogo.

É importante fazer com um profissional que siga a risco as questões sanitárias e estudar sobre o processo de cicatrização para ter um bom resultado. Essas coisas são sua obrigação. Se for fazer uma, observe os trabalhos anteriores e peça referências. Jamais tatue com iniciantes e artistas que nunca evoluíram.

Tatuagem é um gasto totalmente desnecessário e mesmo assim uma coisa que quase todo mundo tem. Isso é um fato observável importante. Geralmente damos mais importância à nossa aparência que à segurança financeira.

Você possui tatuagens? O que pensa a respeito?

terça-feira, 18 de julho de 2017

CF e o risco de perder o emprego

Olá amigos e visitantes, 

A duas semanas atrás como lhes contei, trabalhei naquelas casas pré-moldadas fazendo tudo o que envolvia de carpintaria (fabrico e instalação dos painéis externos, encaixe do telhado, montagem de roupeiros, etc). Foi trabalho pesado, mas andou tranquilo e produzimos muito.



Retornamos à minha cidade no sábado à tarde, totalizando incríveis 63 horas de trabalho, pois segunda e terça tinhamos um compromisso de reforçar as vigas e expor as paredes antigas de uma casa em reformas, o que fizemos em tempo record.


A "Cruz de Santo André" é um método construtivo desenvolvido após o grande terremoto de Lisboa a fim de tornar as edificações mais resistentes.

Como o "empreiteiro nervosinho" descrito em um post anterior está com trabalho atrasado, solicitou nossa ajuda, a qual decidimos prover pelo resto da semana e mais outra (a semana em que estamos), portanto decidimos retornar ao canteiro de obras dele para mais.

Lá tudo estava correndo bem uma vez que ele fazia rodízio de maus tratos entre dois de seus empregados (um deles brasileiro, e outro é um coroa que descrevi que realmente deve depender do emprego) até que na sexta-feira (retornaríamos no sábado) ele decidiu ficar em volta de mim despejando dicas e críticas. O trabalho que eu estava fazendo era um chão de encaixar bem fácil de fazer (já tive a oportunidade de fazer um praticamente igual e um bem mais difícil, que tinhamos de marretar pra encaixar) portanto eu já tenho um método decente de trabalho.

Neste tipo de chão se coloca uma manta protetora embaixo do piso pois qualquer pedrinha que não se tenha varrido transfere ao piso uma deformidade. Já começou ai o incômodo pois me mandaram fazer de qualquer jeito para acelerar no tempo. Somado a vários outros incomodos que suportei sem qualquer problema, o cara decidiu dizer que não estava valendo a pena eu estar lá, pois ele paga um pouco mais a um carpinteiro oficial do que paga para mim.

Quer dizer, fica na minha garganta que como ajudante tenho que parar meu trabalho pelo menos uma vez a cada 10 minutos para ajudar alguém (nesse local ajudo quem estiver precisando) a levantar alguma coisa ou a buscar algo e ainda preciso render como se estivesse em uma coisa só. 

Desta vez fiquei ofendido pois eu trabalho, não sou um mendigo. Onde eu não for necessário prefiro não estar presente, pois a chance de passar por qualquer humilhação gratuita é bem mais alta.

Também me passou pela cabeça deixar o cara que eu ajudo, que simplesmente não consegue trabalhar sem um ajudante (levantar coisas pesadas, fazer encaixes e adiantar trabalhos mais "robóticos" na metade do tempo) trabalhar sozinho e demonstrar mais uma vez o quanto eu sou necessário (se eu realmente for).

Esperei alguns minutos para decidir o que fazer, uma vez que estava longe de casa e só voltaria no outro dia, e resolvi chamar o nervosinho me chatear mais uma vez para conversarmos. 

Assim foi. Quando o homem veio me chamar a atenção por qualquer motivo e eu o interrompi e disse: "escuta fulano, eu vi já que você não está gostando do meu trabalho, que prefere pagar um oficial, então eu trabalho até o almoço e vou pegar minhas coisas lá na casa. As 17h (tinha uma carona) volto. Não vou mais trabalhar pra ti". Ele não respondeu absolutamente nada e esperou um momento de distração meu pra evaporar.

Algum tempo depois o cara que eu ajudo pediu pra eu ficar pois não ia conseguir fazer trabalho pesado (o que ele tinha prometido terminar no sábado), e eu disse que não ia mais trabalhar pra esse outro cara. Ele ficou chateado pois foi seu primeiro patrão aqui em Portugal e gosta de manter uma semana por mês com ele para caso passe algum tempo sem trabalhos ter pra onde correr.

Eram quase 11h e eu simplesmente comecei a cagar pro trabalho e me fazer de surdo (que nem um empregado do nervosinho faz quando já está puto hauhauah) até meio dia. Almocei, retornei à casa, tomei um banho tranquilo, assisti TV e peguei minha carona pra casa.

Pois bem, esta semana estou em casa curtindo uma folga. Vou esperar até o final de semana para ver se vou continuar auxiliando esse camarada durante três semanas por mês ou se isso não lhe serve (pra mim já serve financeiramente), e procurar outro trabalho.

É isso amigos. Pra mim é fácil chegar aqui e escrever que se deve ser positivo e tudo mais e esconder que também me acontecem humilhações e chatices diversas, mas isso não vai servir a ninguém de nada.

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CF, o pescador

Cresci em uma cidade do interior onde tive acesso à zona rural. Uma das habilidades que desenvolvi foi pescar. Uma época eu ia todos os finais de semana... Como era bom levar aquelas traíras como troféu pra minha mãe fritar, principalmente porque na época a gente era pobre pra caramba.

Sempre vi o pessoal aqui em Portugal pescando na beira dos rios e beira mar. Isso era impensável para mim no Brasil onde quase todos os rios e praias são poluídos. Eu até pescaria se tivesse a chance, mas teria receio de comer, (como se o peixe comprado viesse de um local mágico). Me informei e parece que aqui é limpo. Só é necessário pagar uma licença e começar a pescar toda semana. Ontem mesmo comprei o equipamento necessário, sob críticas do velhote vendedor que não acha possível pescar como eu aprendi (linha de fundo, bóia, chumbada, empate e anzol). Preparei tudo e vou desafiar as bestas submarinas em breve.

Pescar é um desafio à honra e à inteligência. Se você não for esperto e paciente volta pra casa derrotado e com fome, desde nossos ancestrais que viviam nas cavernas é assim. Até minha mulher tem dúvidas de que vou conseguir e no final de semana escrevo aqui quem venceu.


terça-feira, 11 de julho de 2017

O que você faz profissionalmente é o suficiente?

Olá amigos,

A uns dias atrás estava assistindo a um video no YouTube do canal "Samurai Carpenter" onde o autor dá sua opinião sobre valer ou não a pena seguir a carreira de carpinteiro. Entre seus argumentos citou algumas dificuldades financeiras que podem vir para um profissional da área na região em que ele mora do Canadá, caso este já tenha despesas com uma família.

Para quem compreende inglês, o vídeo tem alguns pontos interessantes para qualquer profissão, como algumas diferenças na progressão da carreira como empregado, subcontratado ou empreiteiro. Também sobre como conseguiu progredir com a ajuda de um sócio (seu tio) e da esposa. Afinal, nenhum homem é uma ilha.


Por fim o ponto de interesse para o post foi que o Carpinteiro Samurai recomenda a qualquer aspirante que, se quiser alcançar um nível de sucesso relativo e patamar financeiro confortável como ele, será necessário ser mais que um carpinteiro. Na verdade, nos dias de hoje deve-se ser mais que qualquer coisa uma vez que o diploma não é nem de perto garantia de sucesso. Simples assim.

Escolha a carreira certa (link) ou este conselho será válido para você também. 

Segundo o Samurai, muito pouca gente alcança sucesso fazendo apenas uma coisa. É necessário criar e aprender a fazer bem feitas variadas coisas além de não desistir fácil. Um conselho cliché, mas totalmente verdadeiro (não se esqueça que meu blog é também de auto-ajuda barata). Ele disse que além de bom carpinteiro, vende ferramentas, projetos, é investidor, proprietário de casas de aluguel, empreendedor, inventor, professor, fotógrafo e etc.

Eu já havia tratado disso por cima (neste post). Na minha opinião existem caminhos mais seguros para a tranquilidade financeira e quem aposta unicamente na carreira com quase 100% de certeza vai chegar aos 65 dependendo do INSS. 

Meus "gurus" do sucesso tratam disso com frequência. Arnold Schwarzenegger a despeito do sucesso que alcançou em variados campos, trabalhou em muitas coisas (instrutor físico, atleta, investidor imobiliário, pedreiro, vendedor de cursos por correspondência, ator...), obtendo inúmeras falhas no percurso.

Quem conhece a biografia de Gene Simmons sabe das dezenas de trabalhos que ele fez em diversos ramos e ainda faz, desde vendedor à inventor, passando por músico, escritor, datilógrafo, designer, produtor, etc, e das dezenas de horas extras e anos sem tirar férias (ok, aqui eu apelei), também passando por incontáveis derrotas e desilusões nos variados campos.

O famoso Bastter fala em um de seus videos sobre constantemente desenvolver-se em variadas áreas que gerem valor pois as profissões saem de moda e ficam obsoletas. 

Pense nisso e não seja um "one trick pony". É importante ter pelo menos três fontes de renda. Nosso amigo Lawyer Investidor escreveu (aqui) sobre um assunto que devemos ponderar diariamente: o que você faria ao perder o emprego?

Jhon pilotava veículos de milhões de dólares e hoje não arruma emprego estacionando carros.

Até agora já trabalhei em muitos ramos e apesar dos meus objetivos claros na carpintaria, que acredito que vão trazer um decente retorno financeiro e no resto, não tenho ilusões de riqueza sem me manter ativo em outras empreitadas.

sábado, 1 de julho de 2017

Porque decidi virar construtor

Um leitor perguntou-me no último post por que motivos larguei meu ramo de formação para virar carpinteiro. Decidi fazer um post mais completo e assim deixar claro aos que tiverem a mesma curiosidade. Segue:

Me explique uma coisa CF. Você vem de uma área intelectual mas agora é carpinteiro? Por que fez isso? Necessidade ou vontade de aprender? Ou os dois? Porque saiu dessa outra área intelectual?


Olá anon, é exatamente isso, tornei-me carpinteiro, ou por enquanto um ajudante de carpinteiro.


Fiz isso por uma série de motivos. Sempre me interessei por construção civil, minha família materna é toda do ramo (engenheiros, mat. Construção, olaria, imobiliária...) mas meus pais me afastaram com unhas e dentes do ramo por ser algo fisicamente demandante e repleto de pessoas sem instrução (sonhavam que eu estudasse direito). Talvez isso tenha me revoltado pois eles são cultos e qualificados porém pobres até hoje, além de sempre terem sido bastante infelizes em seus trabalhos.

Antes de seguir um parêntese. Minha mãe abriu mão de viver na Europa quando jovem para ficar com meu pai. A medida em que fui amadurecendo, vi que tinha melhores resultados seguindo meu instinto e observação que as dicas profissionais de pessoas sem sucesso.

Sou mais um dos inúmeros enganados pela indústria do ensino superior, e naturalmente fui me voltando à construção desde os primeiros terrenos que tive a sorte de comprar e vender com lucro anos atrás (descrevi aqui no blog). Também descrevi outras experiências, como a compra, reforma e venda de um kitnet, trabalho como pintor (vi que estes conseguiam fazer meu salário em duas semanas), etc. 

Atualmente, graças a anos de trabalho, poupança e frugalidade minha e de minha esposa e também por morar em Portugal, onde se vive bem com pouco dinheiro, não somos mais dependentes do salário (me refiro não a viver de nossa renda passiva, mas poder apelar a ela caso necessário).

Portanto pude me dar ao luxo de dedicar-me a aprender uma nova profissão, tanto por afinidade (prefiro carpintaria à outras áreas da construção, quanto pelo meu objetivo: saber o suficiente para me tornar mestre de obras e controlar o feitio de minhas próprias casas).

Não sou inocente a ponto de recomendar que as pessoas larguem seus empregos e se tornem carpinteiros ou pedreiros, tem muita coisa envolvida. Dito isso vejo hoje que estaria nesse ramo tendo ou não minha modesta renda passiva, e para alguns amigos próximos que demonstram amor a esse tipo de trabalho recomendo sim que larguem tudo logo e persigam uma carreira neste ramo, que é ótimo.

Li o livro do Arnold Schwarzenegger em 2013, onde ele descreveu ter feito fortuna tanto na construção e reforma quanto no trade imobiliário. Isso me motivou bastante assim como o Pai Rico Pai Pobre do Kiyosaki, que é essencialmente sobre enriquecer com imóveis. Sobre este livro em particular, vi os dois lados em primeira mão: eu havia sido vítima do "pai pobre" a vida inteira, enquanto que em volta de mim sempre houve um "pai rico" (meu avô) o qual sempre tive receio de seguir os conselhos - para você ter uma ideia, eu preferi terminar a faculdade e me tornar empregado a abrir uma empresa de esquadrias de metal que ele havia me proposto, por um medo irracional impingido desde a infância de ser um desqualificado. Isso ainda me torturava a até algum tempo atrás. 

A mudança compensa financeiramente pois sou um profissional mediano (pra ruim) na minha área de formação e desde a faculdade tenho zero interesse em fazer carreira nela, tanto que buscava cursos em outras áreas correlatas esperando que o mercado os valorizasse e me premiasse com um emprego decente em outra coisa. 99% dos formados na minha área faz um salário igual a alguém sem formação alguma, e pior, tem poucas opções. A maioria dos meus ex colegas está desempregado ou ganha menos de 1500 reais. Qualquer ajudante de pedreiro ganha mais que isso de onde venho.

Gente de obra ganha bem e tem um leque de opções que lhes permite estar exposto à empreitadas mais lucrativas aqui e ali, diferente das pessoas comuns que dependem de poupar bastante e investir por muitos anos como se vivessem uma "vida renda fixa". Esse caráter também me agrada. A "sorte premia os audazes", e eu sempre fui audaz o suficiente pra ser sortudo. Se você é leitor de meu blog sabe que tenho repulsa à ser empregado, pois nesta condição meu esforço jamais foi premiado.

Ainda nesta questão tive uma conversa sobre o lucro líquido na construção de uma casa popular, especialidade dos meus tios e fiquei revoltado ao saber que eles, engenheiros civis, além de socialmente poderosos e admirados, lucravam líquido construindo uma casinha em 3 meses o que eu conseguia poupar em um ano ou mais, e este era o trabalho mais simples que eles executavam fora a venda de lotes.

Além da parte financeira algo que me motivou muito foi a sensação de liberdade e total independência de chefes bundões e colegas insuportáveis comuns no ambiente corporativo. Qualquer um que trabalhe com construção pode, caso queira, ficar em casa assistindo Chaves e Sessão da Tarde caso tenha o serviço adiantado que não vai perder o emprego.

Nos últimos anos fui bastante influenciado sobre aquele papo de "parar de sobreviver e começar a viver" e pela filosofia Objetivista de Ayn Rand. Foi ai que finalmente deixei de ser um cagalhão preocupado com escola, notas e carreira encaixotada e vi que tinha pouco tempo para realizar meus sonhos e tudo ia depender de eu ser corajoso e disciplinado mais do que um comprador de diplomas.

Ayn Rand

Enfim, ao longo da vida tive muitas confirmações de que é um excelente ramo financeiramente, que atende bem meus objetivos de vida, e finalmente suprimi os últimos preconceitos em relação a trabalhar nisso. Entendo totalmente sua dúvida e anos atrás eu mesmo faria esta mesma pergunta com espanto. Na verdade, muitos pedreiros tem recalque e acham que quem tem faculdade ganha bem e não faz nada. Eu tenho como vantagem conhecer os dois lados. 

Estou tendo total apoio de minha esposa como sempre, e isso ajuda imenso.

Enfim coloquei "construtor" ao invés de carpinteiro no título pois meu objetivo é tornar-me uma espécie de empreiteiro e não só trabalhar com madeira. Isso é possível para quase qualquer homem saudável no Brasil. Há cinco anos eu não conseguiria nem mesmo conceber esta ideia. 

Um abraço e "buona fortuna" a todos. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Seja espaçoso e domine o ambiente

Olá amigos, 

Mais uma semana de trabalho se encerra amanhã, e recebo a notícia que na próxima semana trabalharemos para o empreiteiro chato que pegou no meu pé esses dias, novamente hospedados em outra cidade por provavelmente duas semanas (retonamos nos finais de semana). O tempo é propício à trabalhos em áreas turísticas e o melhor é que trabalhamos 11 horas por dia com esse cara, além do almoço e jantar em restaurante e quarto em pousada fuleira de praia na conta dele. O lado ruim é ficar longe de casa e trabalhar no sol.

Para os que não lembram, o cara me escolheu por ser o mais moderno, para criticar absolutamente tudo no meu modo de trabalhar e mandar fazer 5 coisas ao mesmo tempo, não me permitindo terminar nada.

Minha resposta natural foi ficar com cara de c* e retrucar com veemência suas críticas, afim de tornar minha presença próxima desagradável a ele. Esta tática surtiu efeito, principalmente da metade para o fim da semana quando comecei a falar em voz alta que ele era um "baita fdp", não me deixava terminar nada, que "aquele corno quem fez essa merda" (algum erro que ele tivesse cometido) e coisas do tipo.

Um ponto alto foi o dia em que ele disse que eu não estava prestando atenção no trabalho e que ia dar uma martelada em meu dedo para eu ficar ligado (é verdade, eu estava pensando em outra tarefa que não tive tempo de acabar), e eu lhe disse com firmeza que se me acertasse para ver o que eu faria com a cara dele. A partir de então ele continuou a criticar, mas de modo ameno, com sorrisinhos e me ensinando a fazer o que ele considerava errado, como tem que ser. Na natureza e no homem, o primeiro que desviar o olhar perde.

O carpinteiro que trabalha comigo não fala nada, na verdade me dá razão e diz que o cara é assim mesmo e que apenas gosta de trabalhar com ele por ele pagar certinho e que é bom manter a relação pois em qualquer momento ele arruma trabalho.

Eu entendo o lado dele e como cavalheiro nunca partiria de mim uma ofensa ou algo que lhe prejudicasse, apenas sei onde piso e não aceito ser tratado como um funcionário deste empreiteiro, o qual suspeito que por ser já um coroa, morar na mesma cidadezinha da empreiteira (poucas opções de trabalho para alguém assim) e ter filhos pequenos, precisa se humilhar e aceitar mijadas gratuitas.

Nesta semana terminamos um trabalho atrasado (por isso vou ganhar menos, me ralei) porém foi em ambiente tranquilo e como sempre aprendi coisas novas. Neste post quis comentar um pouco sobre como neste ramo existe uma oscilação entre trabalhos fáceis e difíceis, que pagam bem ou mal quando surgem imprevistos. Falarei mais deles ao longo do tempo.

Instalamos esse chão e uma bela porta
neste apartamento em reformas

Receber por produção é algo que eu realmente recomendo, caso possível. É a autêntica ética capitalista e como tal lhe possibilita ser um pouco mais dono do seu tempo e trabalho.

Voltando ao tema do post, o qual acredito ser de interesse de muita gente por ai, em nossa cultura os "chefes tetudos" parecem acreditar que por estarem te pagando, tem o direito de aporrinhar e maltratar os subalternos como parte do pacote. Isso é um fato facilmente observável e acontece bem mais com quem não tem muito orgulho próprio e permite esse tipo de situação. Parece existir pra muita gente um grande medo de ser demitido caso não aceitem uma crítica imbecil ou mesmo humilhação. Não só de ser demitido, mas de que o mundo acabe. Ledo engano.

Ao contrário do que possa parecer neste post, não sou uma pessoa agressiva e sou extremamente educado, até mesmo em situações ofensivas. Dito isso existem atitudes providenciais para vencer. Vocês leem bastante eu falar de "vitória" aqui no blog e não quero assim parecer o guru de auto-ajuda ou um pastor evangélico. A vida é pura e simplesmente uma disputa e no fim do dia ou você venceu ou perdeu.

O que vou falar a seguir não é certeza de vitória, mas ajuda.

Em todo lugar que se chega é importante ser notado e evidenciar confiança extrema. Não sabe fazer algo? Não tem problema, diga que não sabe, mantendo total confiança de que é capaz de aprender e executar como qualquer um. A impressão dos outros tem bem mais a ver com sua auto-confiança que com suas qualificações técnicas. Não estou falando de carpintaria. Venho de uma área totalmente intelectual e é igual lá.

Outra coisa é que o mundo é dos espaçosos. Pessoas que ocupam espaço e fazem barulho (nas horas certas) tem uma chance bem maior de chegar mais longe e levar uma vida melhor, com menos desaforos. Já falei aqui no blog, o homem ainda tem uma instância selvagem neste teatro chamado vida moderna. Aqui na blogsfera muitos falam do estereótipo do "macho alfa" mas na vida real o macho alfa se mostra no modo de agir e através do olhar, não do carro que os pais deram ou do físico "3 séries de 12". Aliás um porte físico poderoso dá a impressão que você é eficiente e comprometido (em outras palavras um atleta é mais eficiente que alguém fora de forma, e naturalmente as pessoas tem medo de intimidar alguém fisicamente mais potente).

Aqui em casa sempre converso com minha mulher sobre mantermos uma postura digna, independente de estarmos em outro país onde SIM, existe diferença de tratamento com extrangeiros assim como em TODO país do planeta. Nunca me importei com isso, é totalmente natural.

Agora ser tratado mal... As pessoas permitem, não fazem nada para dominar o castelo e depois reclamam.

terça-feira, 27 de junho de 2017

As quatro técnicas básicas do carpinteiro

Amigos, a partir desta semana vou criar as etiquetas "carpintaria" e "construção civil" para ficar mais fácil para quem quer acompanhar o assunto e minha evolução neste trade.

Se você se interessa por construção civil precisa não só ter noções, mas dominar absolutamente as quatro habilidades que vou citar a seguir. Existem algumas maneiras e ferramentas variadas de se obter o efeito desejado dependendo da situação, mas vou me ater as mais usuais.

Sugiro fortemente que estude no youtube dicas e macetes das ferramentas, pois sempre temos algo novo à aprender. Vamos lá:


1. Medir.

Sempre lembro da frase: "não se pode administrar aquilo que não se pode medir". Medir é a técnica mais básica da construção. Medimos distâncias, comprimentos, espessuras, volumes e tudo mais que se precise trabalhar. Aqui vamos nos ater ao domínio da fita métrica, também conhecida no Brasil como "trena". Lembro que durante minha infância, meu tio Engenheiro não saia de casa sem a sua pendurada no cinto e hoje eu sinto a mesma necessidade. Geralmente carpinteiros e pintores usam fitas de 5 ou 8 metros (pintor precisa para dar orçamento). Pedreiros também precisam de fitas de 30 metros para demarcar terreno.

Hoje em dia também existem medidores de distância à laser bem interessantes, mas nada substitui a fita métrica. Eu sugiro uma larga, de pelo menos 2cm e de preferência 2,5cm e de boa marca.


Para marcar é necessário manter seu lápis bem apontado e uma caneta marcadora para alguns materiais. Um boa dica é "medir duas vezes para cortar uma". 

2. Nivelar

Não existe nada pior na construção que algo fora de nível. Tudo tem de estar nivelado a cada passo antes de prosseguir ao próximo, caso contrário as coisas não encaixam.

Nível se refere ao ângulo entre dois pontos na horizontal (apesar de ser comum chamar prumo de nível, como veremos à seguir). Para isso se usa um laser de traçar, mas principalmente o nível de bolhas (spirit level). Antigamente os pedreiros verificavam o nível com uma mangueira. Muitos ainda utilizam  a técnica, mas está caindo em desuso por não ser 100% precisa.

Nivel à laser é muito bom para vários tipos de trabalho, mas considero 3 níveis de bolha indispensáveis. Um nível médio, de 50 ou 60cm, um nível de 2 metros para coisas maiores, e um nível torpedo para coisas pequenas ou verificações rápidas.

Jamais derrube ou aperte o nível pois ele perderá a precisão. 

3. Aprumar. 

O prumo se refere ao nível na vertical. Uma parede deve estar em prumo para não cair (a não ser que seja dessas desenhadas para serem curvas por um arquiteto sádico) mas no geral devem estar totalmente retas, assim como outros objetos.

Para se verificar o prumo se utilizam o nível de bolha ou... O prumo, que é uma ferramenta muito antiga e precisa, com um pêndulo que deve ficar à face do que se quer manter em em prumo.


Eu sugiro ter um prumo na caixa de ferramentas, por mais que usemos o nível de bolha bem mais. O prumo pode ser usado em objetos maiores, como paredes de vários metros. A sugestão que ouvi é que para cada metro, o pêndulo deve ter pelo menos 250 gramas, então faça as contas. O meu tem 700 gramas, portanto posso medir o prumo de algo de até 3 metros.

4. Esquadrejar

Tudo o que tiver ângulo reto em relação a outra coisa deve estar totalmente em esquadro, seja na vertical ou na horizontal. O esquadro é uma das ferramentas mais usadas na construção, mas infelizmente por existir muita mão de obra porca, vemos muita coisa fora de esquadro numa casa. Todo carpinteiro carrega um esquadro de 25 ou 30cm no cinto e eu carrego dois pois comprei um Speed Square americano que facilita muito minha vida com a madeira.

Em minha próxima viagem ao Brasil vou soldar uns ferros e fabricar o maior esquadro que já se viu (um verdadeiro framing square enorme) para deixar claro aos operários que trabalham com minha família que estou chegando e a conversa vai ser outra quando eu estiver no terreno. O defeito da minha família é a falta de cobrança e zelo com o acabamento, o que afeta a qualidade e valor das obras e isso está com os dias contados.


Uma maneira simples de se verificar o esquadro de uma estrutura é a regra 3 x 4 x 5. Pode ser verificado com a fita métrica. Ou seja, se você medir um lado com 30 ou 60 cm, o outro deverá ter 40 ou 80cm para que o vertice maior tenha 50cm ou 1 metro. Se bater nestas medidas, está em esquadro.

Muitos trabalhos devem ficar absolutamente precisos, mas alguns outros podem ter uma tolerância de 2mm pois não se nota e consumiria muito tempo arrumar.

A qualidade do material afeta a precisão e pode exigir mais habilidade dos construtores. Não adianta entregar um molho de tábuas completamente fodidas pro carpinteiro e exigir trabalho bem feito, ou tijolos tortos e mandar o pedreiro levantar uma parede reta. Por este motivo sou a favor de que o cara que manda passe por suficientes situações práticas para exigir de modo realista, mais ou menos como no Exército.

Estas 4 técnicas básicas são usadas desde a construção de uma casinha de cachorro até o prédio mais alto do planeta. Ninguém nasce sabendo e exige alguma prática para se ficar bom, mas o que realmente faz a diferença é o caprixo e atenção aos detalhes.

É importante manter sua marca gravada em suas ferramentas para evitar que sejam "confundidas" e sumindo (e nem isso é garantido). Cuide muito bem delas.

Mesmo dominando essas quatro técnicas o profissional deve ter acesso à uma cópia da planta e poder consultar o engenheiro ou arquiteto sempre que necessário, pois o profissional não pode parar de produzir para ficar esperando pelos outros.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Coragem, a virtude indispensável

Existem algumas poucas virtudes importantíssimas na vida. Sorte a nossa que com duas ou três você já se vira, e pode desenvolvê-las através de trabalho duro e foco em auto-desenvolvimento caso alguma lhe falte.

Se alguém que conhecemos afirma que sonha com determinado objetivo, geralmente podemos dar um palpite se a pessoa vai conseguir chegar lá ou não, dependendo do tamanho do plano.

Ser organizado, confiável, resiliente, disciplinado e preparado, dentre outras coisas, pode lhe manter nos trilhos, mas nada supera a coragem.

O cara corajoso por si só já é admirável, independente do que tenha conseguido na vida. As vezes até uma pessoa abominável é admirada, pelo simples fato de ter sido corajoso sob perigo ou situações difíceis.

Já vi muitas vezes alguém menos competente se sobressair por causa da coragem em coisas que fazem a maioria se manter paralisada.

No fundo, essas pessoas não aceitam os famosos bullshits que nosso cérebro cria pra nos manter pobres e dependentes. Gente que não se vitimiza, mas faz o que tem que fazer sem se importar com a opinião de ninguém, principalmente de desconhecidos, são os verdadeiros heróis da sociedade, e não algum burocrata que criou uma lei imunda como a escola nos mente durante a infância. São pessoas "antifrageis" que entendem que a vida é dura e a falha é mais constante que o sucesso, e ainda assim não temem falhar, que vão chegar mais longe e realizar seus projetos.

Esta semana um amigo, músico, me contou umas curiosidades sobre uma banda que ambos curtimos, a Megadeth, visto que está lendo a biografia do líder desta, Dave Mustaine. Em um trexo Dave conta como certa vez contratou um baterista novo:



Apesar de a ênfase ter sido no profissionalismo de Behler, o start dependeu unicamente dele. Ninguém bate na sua porta pra lhe oferecer algo bom. É necessário falar com pessoas e passar 24h por dia agindo sem medo nem vergonha de nada.

Perguntar se queriam um assistente foi a maneira que Behler encontrou para ficar em volta dos melhores profissionais que encontrou no seu ramo de interesse e até que surgisse a oportunidade certa se manteve focado (depois foi demitido, mas é outra história). Bem diferente do cara que não aceita um trabalho assim e espera a oportunidade certa cair do céu. No mundo da música esta é a realidade de quase a totalidade de quem acredita ter algum talento. Muitos são bastante habilidosos, mas não tem coragem de começar algo pois não aguentam críticas.