sexta-feira, 27 de maio de 2016

Como gerenciar pessoas

Este é um post sobre gerenciamento de pessoas onde vou citar alguns atributos que considero importantes e o assunto não ficará fechado, tanto por haverem nuances nas relações entre as pessoas quanto porque na Blogsfera existe em geral um sentimento de proletário explorado.

Já tive a oportunidade de gerenciar pequenas equipes e também ter assistentes pessoais diretos no trabalho, portanto nos últimos 10 anos aprendi alguma coisa prática sobre isso. O que escrevi vale tanto para subordinados quanto para colegas de equipe em um projeto.

Em primeiro lugar coragem é o mais importante. Sem ela não se sai nem de casa. A verdade é que liberdade implica em responsabilidades, por isso o ser humano em geral tem medo e prefere ser comandado. Um bom gestor deve ter coragem de olhar nos olhos das pessoas, passar com clareza suas ordens e não ser afetado psicologicamente por contrapontos e falta de educação de quem ouve.

Deve ter competência. Se você não tiver competência a máscara cai rapidinho e você vira um adereço sem importância.

O que seus subordinados querem é ver liderança, certeza, assim como um filho vê no pai e perde o respeito no momento em que deixa de ver segurança nele para auxiliar a resolver todas as questões da vida. Eles não querem pensar, querem executar ordens. Sem segurança o comando vai todo pela janela. Liderança deve ser executada com firmeza sem tão-pouco ser confundida com tirania. Ouça as pessoas, mas escolha o que vai agregar pois quem manda é você. Se a opinião de algum colaborador fosse realmente necessária o tempo todo, ele seria o patrão e você o empregado.

Não se deve ser amigo dos subordinados. Eles perderão o respeito e você a autoridade. A capacidade de manter um ambiente alegre e boas relações com todos sem se tornar seus amigos é muito importante.

Disciplina é necessário. Sem disciplina você não chega a lugar nenhum, pois a falha é mais recorrente que o acerto, portanto só os mais disciplinados chegam longe. É necessário muita disciplina para não reclamar na frente dos empregados e manter foco em resultados. A primeira coisa que queremos fazer quando algo não dá certo é buscar a ajuda de um amigo. Se isso acontecer e você confundir as coisas, os empregados perderão o senso de sentido e os esforços começam a se dispersar pois eles também se sentirão no direito de choramingar, descansar e por o conforto antes das tarefas.

Os empregados devem ser mantidos em uma espécie de “coleira”, através de seu salário e outras necessidades, como pequenos confortos e pausas. Nos navios o rum era uma espécie de moeda de barganha dos capitães para evitar motins. Quando os caras trabalhavam bem, ganhavam ração a mais, quando trabalhavam mal, eram punidos. Isso se observa nos presídios também, é aquela história da panela de pressão durante o governo militar, você deve apertar a corda com uma mão, e folga-la com a outra no momento certo. Como escreveu Sun Tzu, é muito importante dividir os espólios com suas tropas, ou elas vão te ver com raiva.

Conhecer sua equipe a ponto de saber trabalhar com fluidez os estímulos e punições é a arte de gerenciar pessoas. Para isso deve-se conhecer bem a legislação vigente, os costumes das pessoas e a cultura da empresa.

Veja o que seus colegas valorizam individualmente para melhor gerenciá-los. As vezes um pequeno sorriso ou elogio trazem bons efeitos. As vezes os tornam preguiçosos. Criar expectativas de maiores ganhos financeiros ao meu ver são a estratégia que melhor funciona.

“os homens são porcos que se alimentam de ouro” – Napoleão.

Uma pessoa que acredita que vai crescer na empresa trabalha com mais afinco do que alguém sem perspectivas. Mesmo assim, elas não devem ser mais fieis ao "ouro" do que à "pátria". Caso isso ocorra, você criará cobras na sua casa, e é assim que todos os grandes impérios caíram na história, ou empresas perderam seus empregados para concorrentes que pagam mais. Deve-se instituir um clima de que é humilhante deixar a empresa ou colocá-la em segundo lugar.

Lembram daquele comercial das Havaianas em uma praia onde brasileiros reclamam do Brasil, e quando um argentino se junta a eles, os brasileiros começam a defender o Brasil e xingar a Argentina? Vejo muito isso por ai.

As pessoas podem detestar seu ambiente de trabalho, mas se sentem pressionadas em defendê-lo. É uma espécie de sentimento de pertencimento. Deve-se administrar isso com sabedoria. Crie um inimigo em comum, como a imagem de um empregado que se deve combater por prejudicar a equipe ou mesmo um concorrente que ameaça a loja.

É especialmente importante fazer reuniões de qualidade semanais, de preferência na Segunda-Feira, onde se lê notícias e se fala de fatos que podem influenciar no mercado em que a empresa atua. Depois pode-se deixar as pessoas falarem, sempre perguntando na ordem do mais fodão, até os de nível menor. Isto é importante para que eles visualizem a hierarquia, assim vão aspirar posições mais altas.

Este é um bom método para eles sentirem que tem voz e dar suas contribuições, sem descambar pra democracia plena, que nivela por baixo e estraga tudo. Também é importante para corrigir desvios, fazendo comentários de maneira geral. Esta semana li sobre a importância psicológica dos "cutuques mentais", como pequenas "cutucadas" são influentes em moldar a vida das pessoas na sociedade e elas nem mesmo percebem.

As pessoas devem ter um ambiente de trabalho tranquilo e organizado. Por mais que você não controle a felicidade dos outros, regras devem ser tidas como leis. Por exemplo, colaboradores jamais devem brigar, jamais discutir na frente de clientes, jamais serem porcos imundos desorganizados, devem ter uma boa apresentação, educação aprimorada, e pontualidade. O importante é criar uma cultura que se propague sem que seja necessário ficar ensinando os novos empregados. O próprio ambiente deve enquadrar a pessoa.

Antes de pensar que não possui habilidades gerenciais, lembre que ninguém as nasce tendo. Nada além da pratica trás experiência, seja no que for. Centenas de milhares de repetições vão torna-lo eficiente.

Recomendo o livro da FGV "Aspectos Comportamentais na Gestão de Pessoas" pra ter uma base. Não sei quanto custa pois adquiri na matéria do MBA que cursei (cursei poucas matérias num MBA da instituição). É o único que li que trata diretamente do assunto, mas deve ter melhores, até porque o mesmo trata o que escrevi aqui como algo antiquado e que não funciona na "Era do Conhecimento".

Se apenas estas questões forem observadas, e se contratar gente com competências correlacionadas com as tarefas que executam, você terá um ambiente de trabalho produtivo.

Não se deve comer nem manter hábitos "humanos" na frente dos subordinados, como assoar o nariz, cortar as unhas, beber álcool ou relaxar. Você deve ser visto como alguém realmente superior, que não sente fome, nem frio, nem tropeça ou comete erros, um verdadeiro ciborgue. Alguém que não desiste de ir a algum lugar por estar chovendo ou de falar com alguém que não gosta. As pessoas devem ver você como uma pessoa que resolve qualquer problema (não os delas) e se sentirem pressionadas a ser do mesmo jeito naquele ambiente. 

Os melhores colegas-colaboradores que tive foram os com a característica de resolver sozinhos ou pelo menos buscar ajuda e ter perseverança até terminar sua tarefa, eram os mais independentes e observei que se tornaram mais independentes quando o ambiente não lhes tratava com demasiado cuidado e proteção.

Minha opinião é a de que as pessoas são 10% personalidade e 90% um "papel em branco" que vai dar seu máximo ou seu mínimo, dependendo do estímulo. As pessoas reagem à estímulos apesar de considerarem auto-suficientes e racionais.

Estava vendo um filme sobre navios e descobri de onde surgiu chamarem a medida de velocidade no mar de "nós". Antigamente amarravam um peso na ponta de uma corda cheia de nós e verificavam quantos nós tinham passado por sua mão durante determinado tempo. Um método extremamente rudimentar, mas serve. Pessoas que resolvem problemas com o que tem são as melhores. Tem gente que não faz algo porque não tem um equipamento foda, não vai malhar porque o calção está pra lavar, e por ai vai.

É melhor que uma pessoa seja insubordinada na sua frente do que prometa que vai fazer algo e cague o processo todo. Não se deve ser conivente com erros. Isso ocorre muito com empregados mais antigos na empresa, que deixam de observar seus erros e de ser exemplo para os mais novos. Minha avó tem uma empregada que manda na casa, pois os velhos tem pena de demitir ela. Isso é inadmissível.

Confiança é tudo em negócios, se não tiver total confiança em um empregado demita rápido.

No fim, são tudo business. Nunca entre em questões pessoais e discussões sem sentido. Jamais ofenda as pessoas, isso é dar munição para elas.

Isto é o que penso ser vital na gestão de pessoas, certo ou errado perante os livros e profissionais da área, é no que acredito, e acho que vale por um semestre todo dessa matéria em uma faculdade.

E aí? Deixem suas opiniões.

19 comentários:

  1. Vc acrescenta bastante a blogosfera replicando as lições dos livros q vc lê.
    Parabéns.
    Abraco.

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    1. Espero que o que eu escrevo sirva pra algo. Obrigado.

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  2. Ola CF,

    Realmente liderar nao e facil.

    Quando se e jovem entao, abaixo dos 30, se voce se torna o superior de outras pessoas e sinal de problema, pois parece que e mais dificil aceitar alguem jovem como voce ou mais jovem liderando (meu caso, sempre tive problemas com mais novos com meu crescimento na empresa).

    Concordo que chefe nao pode ser tao amigo, se nao vira bagunca rs.

    As demais partes do texto sao muito interessantes, e mostram que e realmente complicado liderar.

    Abraco

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    1. Para liderar precisa "estômago", bem complicado pra 90% e ainda mais hoje onde a sociedade foi emasculada.
      Esse negócio de idade prejudica, existe uma cobrança bem maior pairando no ambiente. Eu sempre busquei respeitar a hierarquia sem me importar com a idade dos chefes ou da relação entre eles e os donos da empresa, mas é um tema bem complicado.

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  3. C.F. o único ponto que eu tenho de discordar de você é sobre parecer um cyborg para seus subordinados.

    Quando a empresa é sua, está tudo bem agir desta maneira, mas quando você é apenas mais um empregado dela, só faz parecer fraco e incompetente para seus subordinados, pois o chefinho se mata pela empresa, puxa saco dos donos e continua na mesma M (essa sempre será a impressão).

    O comportamento mais comum que eu observava nos engenheiros borracha fraca é que eles deixavam para almoçar tarde. Anunciavam que iam almoçar e não dava 5 min voltavam para conferir se os piões tinham relaxado sem a sua presença.

    Eu achava e ainda acho isso ridículo (minha atual chefa sempre faz isso).

    Ou diz que vai embora mais cedo porque precisa resolver alguma coisa e faz a mesma coisa.

    No período que passei comandando piões, com atrasos de salários, benefícios e etc. Minha forma de liderança era mostrar que eu era tão empregado quanto eles e que não precisava se preocupar que a empresa não deixaria de pagar. Dava a liberdade que eles precisavam desde que não me ferrassem e delegava o serviço o máximo possível.

    Quando eu digo delegar, não quero dizer: Vá lá fulano, faz isso ou aquilo. Na verdade era parava com o sujeito, explicava o que tinha que ser feito da maneira correta e ainda ficava supervisionando.

    Diferentemente dos eng. com quem eu trabalhava que adoravam jogar trabalho nas costas dos outros, mas se o sicrano fizesse merda, seria de inteira responsabilidade do pião, não dele que "delegou" a tarefa.

    No mais, concordo com todos os outros aspectos. O ser humano não passa de um animal resultante do meio em que vive. Por isso os esquerdistas querem tanto desconstruir(destruir) a sociedade.

    A administração de pessoas e um tipo de competência que poucos são capazes conquistar. Vejo que muitos, vivem se afogando nos livros de "liderança" de pessoas, mas não põe nada em prática.
    Temos muitos chefes atualmente que se fossem buscar liderar fora daquele cargo que conquistou através de muita babação de ovo, nem para vender pipoca ou cachorro quente na esquina serviria.

    ---
    Essa da empregada, foi de matar...

    Abraços!!!

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    1. Existem algumas nuances. Esses caras que agem como se fossem reis e são uns cocôs não merecem respeito algum.
      O modo como você levava provavelmente era o mais adequado no seu ambiente. Realmente não ia adiantar tanto chicotear os caras por suas faltas ao invés de manobrá-los de outros modos. É aquilo de apertar a corda com uma mão e frouxar com outra hehehe.
      Mas se você, como chefe cometesse os mesmos erros que eles, eles não sentiriam obrigação nenhuma de cumprir suas atividades.

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  4. Vou salvar seu texto para ler ele todo dia até decorar man! Vale por um curso todo de gestão! Adoro a blogosfera: a gente aprende muito aqui!

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  5. E quando você tem que liderar pessoas que possuem estabilidade no emprego e muitas prestes a se aposentar? Como estimular e mostrarem resultados?

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    1. Aí é mais difícil. Gente assim geralmente respeita só o "rigor do regulamento".
      É tudo questão de benefício ou punição no que o cara for executar. Por isso em geral se odeiam funcionários públicos, pois se eles tem teto no salário. Deve-se encontrar outras maneiras de motivá-los.
      Acho que neste caso o papel e atitude do líder é muito importante, como diz o velho ditado: "a palavra convence, o exemplo arrasta".

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  6. Uma boa reflexão para ser usada no nosso dia a dia. Seja como lider ou liderado.

    Parabéns!

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  7. Muito boa suas observações e conhecimentos!
    Outra coisa a se fazer, é deixar os funcionários com a sensação que eles podem ser substituídos se não fizerem o trabalha bem feito, falando de outros funcionários bons, da crise, de um ex-funcionário que foi demitido por falta de desempenho e assim vai. Não tem nada pior do que um funcionário que acha que é a última bolacha do pacote!

    abraço

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    1. Essa sensação de que o cara pode ser substituído é importante que paire no ar. Não por qualquer motivo como se ele não valesse nada, mas que a empresa PODE substituí-lo em último caso sem sofrer tanto quanto ele sofreria perdendo o emprego.
      Obrigado por comentar, você já tem seu blog?

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    2. Ainda não. Mas pretendo criar em breve.

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  8. Eu trabalho em uma empresa de construção muito grande e percebo o "Ciborgue" nos diretores.

    Eles não se coçam, não sorriem, não comem, não tomam café, não falam sobre sua vida, não falam sobre família, não falam sobre futebol, não falam sobre comida, não falam sobre absolutamente nada fora do trabalho e se portam de uma maneira formal e desumanizada.

    Este comportamente imprime um respeito ABSURDO à presença e às ordens deles.

    Eu, por outro lado, não consigo deixar de ser "gente boa e humano" e sempre acabo me fudendo.

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    1. É, falei pelo que percebi no geral mesmo. Existem casos específicos, mas no geral, demonstrar humanidade é demonstrar fraqueza.

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  9. Excelente post, CF.

    Estou lendo com certo atraso, mas não é por este motivo que devo deixar de comentar: belo post que você escreveu aqui!

    Abs

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